A Casa das Sete Mortes: quando o passado insiste em não descansar

A Casa das Sete Mortes: quando o passado insiste em não descansar


No coração do Pelourinho, existe uma casa que mais parece guardiã de segredos sombrios. Chamam-na de Casa das Sete Mortes — ou Casa das Sete Facadas. Construída no século XVII, tombada em 1943 pelo IPHAN e restaurada em 2010, ela está na Rua do Passo (hoje Ribeiro dos Santos), número 24, em Salvador. 

A arquitetura por si só já assusta: dois andares, sótão, pátio interno com azulejos seiscentistas, fachada coberta por azulejos portugueses do século XIX, vestíbulo com painéis ingleses… cada detalhe parece ter sido testemunha de algo que ninguém esquece. 

Em 1755 (ou 1756, versões variam), um homicídio grave foi documentado ali: o padre Manuel de Almeida foi morto a facadas, junto com dois escravos e um homem liberto. O autor nunca foi descoberto, e o caso ficou registrado nas atas do Arquivo Público da Bahia. 

Desde então, dizem moradores que à noite ecos de vozes se espalham pelos corredores, vultos passeiam pelas janelas rasgadas, portas rangem com ventos que não sopram. A casa, dizem, parece recusar presença alegre – negócios tentam se instalar, mas abandonam o espaço. Vida não prospera entre suas paredes.

Hoje abriga a Escola Técnica da Casa Pia dos Órfãos de São Joaquim, mas a restauração não apagou o peso que insiste em ficar. Patrimônio histórico sim, mas também um local que carrega o horror de histórias que não se foram. Entrar ali é lembrar: certas mortes exigem ser lembradas. E algumas casas, mesmo restauradas, nunca se calam.


Comentários